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Abluvião

O pé-d´água principiou sossegado, mas de súbito foi como se a abóbada celeste tivesse rachado e moveu-se do alto um autêntico abluvião. Na avenida, a água encharcava as vestes dos transeuntes e enchia plenamente a pavimentação.

Abluvião Fotografia Daniel Pátaro.jpg
Abluvião Fotografia Daniel Pátaro

As árvores inertes e mudas aparentavam admiração pelo fenômeno.
Um automóvel atravessou o sinaleiro e sem demora emperrou, devido a infiltração da água nos seus mecanismos fundamentais.
Um povaréu transpunha o caminho, no meio dágua, ensopados até o esqueleto, mas foliando com a chuvada.
Os plantios do quintal eram banhados pela água, e a relva se encontrava agora embaixo de algumas úncias de água alvacenta.
Uma ave com o peito amarelo, de asas escuras, buscava acolher-se entre as encorpadas folhas, mas achava-se cada vez mais empapada e se sacolejava sem parar.
O pé-d´água permaneceu um certo tempo, e em seguida acabou tão de supetão como rompera.
Toda a localidade estava purificada e renovada.

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